D. João III mandou organizar uma frota composta de 2 naus, 1 galeão e duas caravelas e confiou a direção desta frota a Martin Afonso de Souza, dando-lhe poderes extraordinários, entre os quais, o "tomar posse e colocar marco em todo território até a linha demarcada".

A frota zarpou do Porto de Lisboa em 3 de dezembro de 1530, chegando à Baia de Todos os Santos, Martin Afonso de Souza reiniciou sua viagem para o sul em março de 1531. Passados dias, após contornar Cabo Frio, fundeou no "Costão", em frente ao antigo "Morro do Canto", situado próximo a Barra Nova. Nesse local encontrou um número razoável de selvagens da tribo dos Tamoios, obedientes à chefia de um índio chamado de "Sapuguaçu". Que chamavam aquele local onde habitavam de Sacoa-y-rema, que significa “Lago sem Conchas”.

Eles moravam em choças construídas com troncos de árvores e cobertas com palhas de "tábua" ou "Pita". Suas embarcações feitas de um só tronco eram ligeiríssimas, causando espanto aos descobridores, devido à rapidez e perícia com que eram dirigidas.

Abastecidos os navios de água,lenha e frutos nativos, prosseguiu Martin Afonso sua viagem, abandonando as terras de "Socó - Rema". Assim denominado, por causa dos bandos de aves pernaltas, conhecidas como "Socós" que habitavam a Zona Lacustre.

Quatro anos após essa visita, o rei D. João III, buscando uma solução menos dispendiosa para o problema da colonização do Brasil, resolveu dividi-lo em Capitanias Hereditárias. Foi devido à concretização desse desejo real, que as terras do atual Município de Saquarema, no ano de 1534, passaram a pertencer a Martin Afonso de Souza, pois se encontrar dentro dos limites fixados para a Capitania de São Vicente , a ele doada nesse mesmo ano.

Dada a extensão do território da Capitania, muitos anos se passaram antes que as terras de Saquarema recebessem os benefícios da civilização. Só em 1594, os padres da Ordem do Carmo por elas se interessaram, pleiteando e obtendo, em 5 de outubro desse ano, a doação de algumas sesmarias localizadas na região. No lugar hoje denominado Carmo, próximo a Ipitangas, os religiosos iniciaram logo ao chegar, a construção de um convento que denominaram de Santo Alberto e do qual, no presente, existe apenas, como recordação à imagem de seu padroeiro ventrada em um dos altares da atual igreja matriz.

Após a chegada dos Carmelitas, outras sesmarias foram concedidas na redondezas das suas, o que motivou a criação de várias fazendas nas terras de Saquarema. Em 1660 ou 1662, Manoel Aguilar Moreira e sua esposa, D. Catarina de Lemos, desejando proporcionar assistência religiosa aos habitantes de sua fazenda e das já existentes na vizinhança, fizeram erguer uma capela em honra a Nossa Senhora de Nazaré de Saquarema, justamente no local onde hoje se ergue a igreja-matriz. Por influência do Bispo do Rio de Janeiro, D. José de Barros Alarcão, pouco tempo depois de inaugurada ela foi reconhecida como capela curada e filial da Matriz de Nossa Senhora de Assunção do Cabo Frio.

Em 1675, estando já em situação precária, o edifício da capela, teve seu prédio substituído por um de maiores dimensões construído de pedra e cal. Pouco menos de um século mais tarde, em vista do progresso observado na localidade, o governo, a pedido dos moradores da região, resolveu, por força de um alvará, datado de 12 de janeiro de 1755, conceder ao curato de Nossa Senhora de Nazaré de Saquarema, o procedimento de freguesia, constando das crônicas, ter sido seu primeiro vigário o padre Antônio Moreira. Com o correr dos anos, prosperando a freguesia e não condizendo mais a amplitude de seu templo com esse progresso, os habitantes da margem setentrional da lagoa de Saquarema requereram permissão ao bispo para levantar a nova matriz, em 1820. Pediram também, os signatários desse documento, que o novo templo fosse erguido, não no local onde se achava o antigo, na cuminência fronteira ao mar, mas sim em um ponto mais central, que oferece maior facilidade de acesso ao povo.

Atendendo a essas ponderações e ao mal estado em que já encontrava o templo antigo, mandou o bispo citado, por provisão de 12 de maio de 1820, que fosse construída nova matriz no lugar denominado Boqueirão do Engenho, dentro das 50 braças de terra que, para esse fim, doara o tenente José de Almeida. Entretanto, essa mudança não se verificou , em virtude da viva oposição que a parte conservadora da população ofereceu à idéia desse deslocamento. Vitoriosa a resistência dos tradicionalistas que desejavam conservar a matriz em seu primeiro lugar, iniciou-se, imediatamente, a construção do novo templo, no qual trabalharam gratuitamente, homens, mulheres e crianças do povo, que até pedras carregavam para a sua edificação. Concluídas as obras, em 1837, por uma questão de fato, ficaram automaticamente derrogadas as instituições exaradas na provisão de 12 de maio de 1820.

Em 1841, passados, portanto alguns anos da construção dessa nova matriz, tal era o progresso verificado na sede da freguesia, localizada ao seu redor, e nas povoações circunvizinhas, que o Visconde de Baependi, então vice-presidente da Província resolveu, por força da lei nº 238, de 8 de maio deste ano, elevar a freguesia à categoria de município. O artigo 1º dessa lei rezava: “Fica criada uma - vila - no arraial denominado - Nossa Senhora de Saquarema - conservando o mesmo título. A nova vila ficará pertencendo à comarca de Cabo Frio".

Instalada a Vila, curta foi a sua existência. Dezoito anos depois, por eleito do Decreto nº1.128, de 6 de fevereiro de 1859, retornou ela à categoria de Freguesia. Esse Decreto estava assim redigido: “A sede do município de Saquarema fica transferida para o lugar de Mataruna na Freguesia de São Sebastião de Araruama, e elevada à categoria de - vila - com a denominação de” Vila de Araruama “, a qual será instalada logo que os habitantes da localidade apresentarem casas preparadas e mobiliadas a sua custa, para as sessões da Câmara Municipal e do Juiz.

 


* Fotos extraídas da internet, quem souber a autoria, favor mandar-me e-mail

 

 

Copyright© 2001/2009

Web Designer:  Luciana Machado